Semana Especial Jane Austen | Resenha - Razão e Sensibilidade


LivroRazão e Sensibilidade 
Autor (a): Jane Austen
Páginas: 334
Editora: diversas
Classificação:     



“..that sanguine expectation of happiness which is happiness itself” 

Estarei resenhando aqui um dos meus livros favoritos! O primeiro livro dela que eu li, ainda quando era praticamente uma criança, 12 aninhos (depois reli, claro!) e que me marcou pela vida inteira: Sense and Sensibility ou Razão e Sensibilidade! Me marcou principalmente por causa dessa frase aí encima, sobre felicidade ser aquele estado de quando acreditamos que seremos felizes no futuro. O segredo da felicidade é manter a chama acessa da esperança e foi Jane que me ensinou isso.

O Livro começa nos mostrando a triste realidade da mulher no início do Séc XIX, uma mulher de boa família, viúva com 3 filhas solteiras não tinha direito a nada da herança do seu marido. O único herdeiro era o primogênito, filho de um primeiro casamento dele, o sustento delas cabia exclusivamente a generosidade desse irmão que poderia ou não lhes conceder uma renda, cujo valor também dependia só de sua boa vontade.


 Uma sociedade que via mulheres que trabalhavam fora para seu sustento como desonradas, mas que não garantia nenhuma forma de sobrevivência que não passasse pela ajuda de um homem, fosse pai, irmão ou marido é o fundo de todas as obras de Jane Austen, é uma referência recorrente da qual Sense and Sensibility não foge. Jane não fala em tom planfetário, mas deixa clara sua oposição a uma sociedade que dava tão poucas garantias a uma mulher. Jane Austen foi muito criticada por feministas que enxergavam em sua obra somente romances água com açúcar onde um homem acaba sendo responsável por “salvar” a mulher. Mas é nas entrelinhas que vemos a força de suas denúncias, da sua sensibilidade e sua defesa das mulheres.

As srtas. Dashwood eram jovens, bonitas e despretensiosas. Isto bastava para 
garantir a sua simpatia, pois ser despretensiosa era tudo que uma jovem bonita 
podia desejar para que seu espírito fosse tão cativante quanto sua Pessoa. 
Seu caráter bondoso sentia-se feliz em acomodar aquelas cuja situação
podia ser considerada ingrata, se comparada ao passado.
Sobre Sir John ao receber as primas em Barton

Com a morte do pai, o irmão sovina (também manipulado por uma cunhada sem qualquer consideração por elas e muito egoísta) e ainda solteiras, restava a elas viver modestamente e depender da generosidade de outros. Bem que o Sr. Dashwood quis assegurar o futuro de suas filhas, mas não lhe foi possível, só restava confiar que seu filho cumpriria a palavra de cuidar do futuro das irmãs. Mas a distância, não foi difícil para ele começar a pensar que elas precisavam de bem pouco para viver, passar alguma necessidade, talvez até lhes fizesse bem ao caráter. Nossas heroínas aqui se veem empobrecer, seus sonhos serem destruídos, passarem de bons partidos a meras jovens sem pai e sem dote, veem sua mãe adoecer e tentam contra todas as adversidades manter a dignidade.
Elinor é nossa heroína principal, ela está no limite da idade onde os casamentos eram fáceis de serem arrumados, 19 anos, fã de leituras, inteligente, sensível, perspicaz e de personalidade forte, ela sempre assustava os homens de sua época, que procuravam belas, jovens e cordatas esposas. Depois da viuvez, a perda do padrão de vida e a mudança de endereço, sua mãe havia se perdido, temia por sua velhice e o que seria delas se suas filhas não casassem. Então tenta desesperadamente casar suas filhas, mas Elinor não é do tipo que aceitaria uma união com alguém que não a respeitasse e a quem ela não pudesse respeitar, mesmo que seu sustento dependesse disso.

É nesse clima que Elinor conhece Edward, um homem sensível e respeitador por quem se apaixona e que também se apaixona por ela, mas ele está preso a um compromisso de casamento, um noivado assumido a muitos anos que em nada representa os seus sentimentos, mas do qual não pode escapar, pois deu sua palavra. Seria fácil para ele largar tudo e ser feliz com a mulher amada, mas não seria correto, e nem ele e nem Elinor fariam algo menos que o correto.


É também em meio a isso que a segunda filha, Marianne também se apaixona. Mas diferente de Elinor, apesar de inteligente e íntegra, Marianne é uma sonhadora romântica, também não pretende aceitar um casamento de conveniência, sonha com um grande amor e acha que o encontra em Willoughby, um jovem, belo, galante cavaleiro de boa família mas sem muitas posses. Infelizmente a sua beleza não reflete seu caráter como ficamos sabendo ao longo do livro para infelicidade de Marianne.

  Era evidente que estava infeliz. Ela queria também que ele a distinguisse
 ainda com o mesmo afeto que certamente lhe inspirara no passado;mas agora
 a continuidade de sua predileção parecia muito incerta, e a reserva de suas
 maneiras para com ela contradiziam num momento o que um olhar mais
 vivo havia insinuado no momento anterior.
Elinor sobre Edward

 Firmeza de caráter é o ponto chave para entender a obra de Jane Austen, não importa o quão difícil seja a vida, um ser humano, rico ou pobre, homem ou mulher se mede pela força de seu caráter, todos seus protagonistas são pessoas de caráter ilibado. A beleza é vista como um perigo, pois permite que as pessoas tenham certas facilidades, atrai o interesse de pessoas que se importam apenas com aparências e se elas não tiverem um bom caráter, podem facilmente se vender, sendo seduzidas pelo dinheiro, conforto, luxo ou poder.


Em Razão e Sensibilidade, também traduzido como Razão e Sentimento são 2 histórias de amor onde os bons são recompensados, não vale a pena ler só porque é uma grande escritora, vale a pena ler porque os personagens são apaixonantes em suas simplicidades e em sua pureza de sentimentos. São 2 histórias lindas! É bem verdade que os maus nem sempre pagam como deveriam, assim como na vida real isso acontece na obra, mas o pior castigo deles é que nunca terão a felicidade plena como nossos heróis.

Amo Jane Austen! Se você ainda não leu uma obra dessa magnífica escritora, dê uma chance! Não é uma leitura fácil devida a diferença de vocabulário, mas é leve e apaixonante. 

Beijo e até de tarde! Sim, como Jane Austen dá muito assunto, separamos 2 resenhas para postar hoje!! De tarde voltamos com Persuasão!


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2 comentários

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Luiza Maia
admin
19/07/2016 14:32 ×

Hey!
Eu disse que ia acompanhar essa semana tão especial o/
Às vezes por causa da linguagem eu fico meio desanimada pra começar uma leitura... Mas eu quero muito dar uma chance aos livro da Jane!
Ótima resenha ;)

Beijos da Luh,
http://heartbreaker-girls.blogspot.com.br/

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Val
admin
20/07/2016 14:46 ×

No início, isso também aconteceu comigo, ainda mais que eu era novinha! Era um parto ler!!! Mas depois que a gente acostuma com o vocabulário, vai fácil!! Não desiste, não!
Bjo

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Querido leitor,

Seus comentários deixam o nosso cantinho ainda mais especial. Agradecemos muito a sua participação! Até o próximo post! ;)

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